IMAGINE SE A IGREJA
Imagine se a igreja estivesse verdadeiramente disposta assumir seu envio de anunciar aos pobres a boa-nova e vivesse as conseqüências de seu compromisso histórico de levantar os caídos, servir aos pequeninos, defender a vida.
Imagine se a igreja fizesse o mesmo itinerário do Mestre e fosse correndo ao encontro da humanidade toda, carente de afeto e de pão, para anunciar-lhe a boa-nova da dignidade humana: a libertação.
Imagine se a igreja investisse na formação mais séria e comprometida de seus membros, de seus obreiros e obreiras, levando em conta a realidade socioeconômica; a diversificação das culturas; a influência das ciências humanas na história do pensamento e da prática vivencial do povo de Deus.
Imagine se a igreja tivesse a sensibilidade de acompanhar o desenvolvimento da humanidade, do mundo e das culturas e tratasse com o mesmo carinho de mãe aquelas pessoas que estão à margem das rodas sociais, dois bancos de nossos templos, mas que continuam suas jornadas, seu caminho em busca de dignidade, felicidade.
Imagine se a igreja mudasse seus critérios para constituir as “fileiras de comando” e só tivesse como critério a defesa da vida, o compromisso com a libertação, gente capacitada, aberta, equilibrada, resolvida humana e afetivamente, capaz de entregar a própria vida por amor ao reino.
A arte de imaginar põe já o sonho em andamento e vislumbra a possibilidade de realizá-lo na prática.
Oxalá, tenhamos os corações abertos para transformar a nossa imaginação em realidade que mude o rosto desfigurado e enrugado de todas as comunidades, para ela se apresente de cara nova e cumpra, com fidelidade e zelo apostólicos, sua missão de servir na construção de um novo céu e uma nova terra, livres de todas as prisões e exclusões.
(Adaptado de Fato e Razão, 44, novembro de 2000, p.54-55 in Proclamar Libertação 33 – Editora Sinodal).
Enos Gomes da Silva
Pastor titular